Os robôs vão dominar o mundo

Os robôs vão dominar o mundo

A discussão hoje gira em torno da inteligência artificial, e o que impressiona é o fato de personalidades do mundo da tecnologia alertarem publicamente que devemos tomar cuidado com ela. Chega-se até mesmo a sugerir a paralisação de estudos, defendendo-se que o Estado regulamente o seu uso para que os robôs não dominem o mundo.

Conversando com um robô

A inteligência artificial já faz parte de nossas vidas. Por exemplo, é comum as empresas utilizarem robôs para atendimento ao cliente pela internet. Em alguns casos, o atendimento é tão convincente que sequer percebemos que estamos interagindo com um robô. Eu mesmo tive a experiência de “conversar” com um deles ao reclamar de uma concessionária de serviços públicos. Quando vi que a situação não era resolvida, precisei escrever: “Quero ser atendido por um ser humano”. Para minha surpresa, recebi como resposta: “Eu aprendo rápido…”

Eu aprendo rápido

De fato, a IA aprende. Li em um artigo – a fonte não recordo – que empresas nos EUA que utilizam IA como ferramenta de trabalho tiveram ganhos significativos de produtividade entre os funcionários treinados, um ganho relativo entre os não especializados e nenhum ganho de produtividade entre os especialistas. Em resumo, a IA aprende com os especialistas e compartilha o conhecimento com os demais funcionários. Impressionante!

A IA comete erros

Mas IA comete erros. Por exemplo, a tecnologia do ChatGpt utiliza dados da internet até o ano de 2021, o que significa que pode fornecer informações desatualizadas. Por outro lado, a IA também comete erros. Recentemente, comecei a usar o ChatGpt para auxiliar na solução de questões jurídicas no escritório. Descobri que o Chat, em alguns momentos, confundia o Código Civil Brasileiro – uma lei já revogada – com o Código Civil atual, que regula diversas questões civis, como direitos de propriedade, família, sucessões, entre outras. Imagine, então, o risco de confiar na consulta de uma IA para obter informações sobre seus direitos. Agora, pense só no risco de utilizar a IA para sugestão de medicamentos e de outros cuidados com a saúde.

Mas há ressalvas

Devo admitir que existem ressalvas. Tanto em questões jurídicas quanto em questões médicas, a IA geralmente faz questão de ressaltar a necessidade de consultar um médico ou advogado. Saúde e direitos são temas complexos, sempre foram. No entanto, é cultural automedicar-se e buscar um advogado somente quando o problema já está presente.

Necessidade de lei

Além de ser estabelecido por lei o dever de deixar claro que usuário está interagindo com um robô, é necessário regulamentar o uso da IA em áreas sensíveis, como saúde e direitos. Também é preciso legislação para evitar que a IA seja utilizada como ferramenta para estelionato. Atualmente, qualquer pessoa pode criar, com um smartphone, um canal no YouTube e, com o uso da IA, fingir falar sobre temas que sequer domina, criando vídeos em massa da noite para o dia e atraindo pessoas para comprar produtos, serviços ou até mesmo para desinformar.

Problemas

Há dois problemas a serem considerados: o primeiro é o uso indevido da inteligência artificial por seres humanos, algo presente, que deve ser objeto de legislação. O segundo, aquele que conhecemos dos filmes de ficção científica. No entanto, entre um e outro, devemos hoje temer muito mais o uso indevido da IA pelas pessoas…

…do que os robôs dominarem o mundo!

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Artigo originalmente publicado no jornal Folha Babitonga.

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